Governo do PT investiu no social
Depois de quase um ano do fim do governo do PT na cidade de Londrina, a imprensa local começa a se render aos investimentos sociais feitos pelo prefeito Nedson Micheleti. A matéria do Jornal de Londrina neste domingo, 06/12, mostra o exemplo de apenas um bairro da cidade e o que foi priorizado pelo governo do PT: o investimento na área social em detrimento às grandes obras.
Foto: André Guimarães.
A opinião é do deputado federal André Vargas. Participante ativo da gestão de Micheleti e com atuação reconhecida na área social e de habitação, Vargas orgulhou-se ao ver a transformação de um assentamento em um bairro digno, com estrutura e apoio às famílias que mais precisam, como o que ocorreu no Jardim Maracanã.
“Redução da violência juvenil, apoio às crianças, assistência às famílias em situação de vulnerabilidade, renda mínima para aqueles que não têm o mínimo para viver com dignidade”, ressalta André Vargas. Foram inúmeros investimento. Do Habitar Brasil/BID e da Prefeitura para a habitação e infraestrutura, assistência social, programa de Economia Solidária, água esgoto, centro comunitário.
Para Vargas, o exemplo do jardim Maracanã, mostra o que foi prioridade no Governo do PT. “Fomos muito criticados por não fazer o recapeamento asfáltico da cidade, mas ao invés disso, investimos na pavimentação de 32 bairros que viviam na lama e poeira, Olímpico Maracanã, Felicidade, primavera, receberam infraestrutura e se tornaram locais dignos para se viver. Essa foi a nossa prioridade e hoje temos este reconhecimento”, ressalta.
Veja a íntegra da matéria publicada no Jornal de Londrina no último domingo, 06/12:
De invasão a bairro, Maracanã é modelo de transformação social
Melhorias vêm no rastro de mudança das condições socioeconômicas registradas nos últimos anos; índice de famílias vivendo abaixo da linha da miséria no Estado caiu
06/12/2009 | 00:00 | Simoni Saris
Há dez anos, a dona de casa Nilza de Lurdes Gabriela deixou a casa onde vivia de aluguel, no Jardim Santo Amaro, em Cambé, para morar em uma área de invasão em Londrina. Era o início da formação do Jardim Maracanã (zona oeste) e a família de dona Nilza foi uma das primeiras a chegar ao local. “Sofremos muito. Morávamos num ranchinho, em volta era tudo mato. Não tinha luz, a água vinha de um cano que ficava na Avenida Maratona [Jardim Olímpico] e a gente buscava água com balde duas vezes por dia”, relembra ela. “Quando chovia, era muito barro. Para andar até o ponto de ônibus, colocávamos sacolas nos pés, mas chegávamos todos enlameados.”
A violência era outro ponto negativo. Roubos, assaltos, homicídios e problemas relacionados ao tráfico de drogas eram frequentes e amedrontavam a população. Hoje, a realidade dos moradores do Jardim Maracanã é outra. Nos últimos anos, o bairro ganhou água, luz e pavimentação e a violência diminuiu. Dona Nilza substituiu o “ranchinho” por uma casa de alvenaria e além do asfalto ter posto fim à lama e à poeira, os ônibus passam na porta de sua casa. “Agora é um lugar muito bom de morar. Só saio daqui em um caixão”, brinca.
“As melhorias aconteceram de uma maneira geral. Os barracos deram lugar às casas populares, a violência caiu uns 90% e o asfalto mudou a cara do bairro”, avalia o comerciante Valdir Ferreira, dono do primeiro supermercado do Jardim Maracanã, aberto há quase nove anos.
E o potencial de crescimento da região já começa a atrair outros comerciantes, como Waldir Carlos Guelfi, que há dois meses abriu a primeira farmácia do bairro. O movimento, segundo ele, ainda está fraco, mas deve melhorar nos próximos meses. “Eu tinha uma farmácia no Jardim União da Vitória [zona sul], vendi e montei aqui. Conhecia o pessoal do supermercado e resolvi investir. O bairro deu uma melhorada, está mais calmo”, comenta Guelfi.
As melhorias no Jardim Maracanã vêm no rastro de uma transformação das condições socioeconômicas que atingiu a população brasileira nos últimos anos. Divulgada no início de novembro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008 revela um movimento de ascensão social no País. Conforme o estudo, 18,5 milhões de brasileiros subiram de patamar na pirâmide social entre 2005 e 2008, passando da classe baixa para a média e da classe média para a alta. Sete milhões de pessoas chegaram à classe média e 11,5 milhões, à classe alta.
Ainda segundo a Pnad 2008, em 1997, o segmento de baixa renda representava 34% da população brasileira. No ano passado, esse número caiu para 26%, a menor participação desde 1995.
No Paraná, entre 2001 e 2007, o índice de famílias vivendo abaixo da linha de miséria caiu de 18,4% para 8,3% - uma redução de 34,2%, o que corresponde a 914 mil famílias. É considerada linha de miséria a renda familiar abaixo de R$ 135.
Em 2 anos, investimentos em obras somaram R$ 10 milhões
Nos últimos dois anos, o Município investiu cerca de R$ 10 milhões em obras no Jardim Maracanã. Do Programa Habitar Brasil/BID vieram R$ 6.634.999,63 e outros R$ 2.608.586,69 foram liberados pela Prefeitura como contrapartida. O recurso foi empregado na construção da rede de abastecimento de água e no esgotamento sanitário, iluminação, pavimentação, unidade básica de saúde, além de um centro comunitário e uma quadra poliesportiva e na execução de 287 unidades habitacionais pela Companhia de Habitação (Cohab).
“
A partir do momento em que se consegue urbanizar a área, educar, conscientizar [a população] sobre a questão sanitária e ambiental, atuar na geração de trabalho e renda, garantimos a cidadania, mostramos que há um caminho e melhoramos a qualidade de vida”, afirmou o diretor técnico da Cohab, Jonas Villar Pitz. “Com as obras de infra-estrutura realizadas no Jardim Maracanã e em outros bairros da cidade, damos dignidade à comunidade.”
Também foram feitos investimentos em projetos de assistência social aos moradores do Jardim Maracanã. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) atende 729 famílias, sendo 149 em situação de maior vulnerabilidade e que recebem acompanhamento psicossocial, além de 1.320 pessoas. No Projeto Viva Vida, são 74 crianças assistidas e quatro famílias participam do Programa Municipal de Economia Solidária.
No Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) são atendidas 21 famílias em situação de rua, sete famílias onde há adolescentes em conflito com a lei e 22 famílias de crianças e adolescentes vítimas de violência. O bairro recebe ainda a assistência do Programa Atitude, do governo estadual, que beneficia crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.
O Jardim Maracanã é um dos bairros mais carentes de Londrina e um dos que há mais tempo são assistidos pelos programas de assistência social. Conforme a diretora de Proteção Social Básica da Secretaria Municipal de Assistência Social, Mariluci Queiroz dos Santos, os programas de transferência de renda acabam sendo para essa população a única renda fixa com a qual pode contar no mês, uma vez que a maioria exerce atividades esporádicas, como diarista e servente de pedreiro. “Esses programas são uma questão de sobrevivência para uma parcela da população que, muitas vezes, não vai ter condições de ingressar nunca mais no mercado formal de trabalho”, declarou Mariluci. “Boa parte da melhora das condições de vida [das famílias de baixa renda] tem a ver com a distribuição desses benefícios.” Cada família assistida recebe entre R$ 22 e R$ 200.
Benefícios reduziram as desigualdades
Em trabalho desenvolvido sobre o estudo da composição de renda do Paraná, a estudante do quinto ano de economia da Universidade Estadual de Londrina, Juliana Carolina Frigo Baptistella, constatou que a melhora nas condições de vida da população se deve à reestruturação do mercado de trabalho, com a redução do desemprego e o aumento da renda do trabalhador, o que colaborou para a redução da desigualdade de renda. “Os mais pobres também estão ganhando mais”, diz Juliana. O trabalho rendeu à estudante o Prêmio Paraná de Economia.
Em seu estudo, ela observou queda de 27,1% no desemprego no período de 2001 a 2007. Ao mesmo tempo, houve redução de 13,4% na informalidade e a renda do trabalho subiu 18,11%, passando de R$ 546,93 para R$ 645,99. Juliana explica que embora os índices para Londrina possam ser diferentes daqueles observados no Estado, o Município acompanha as tendências nacional e estadual.
Transferência de renda
Ela também chama a atenção para o ano de 2004, quando houve uma expansão notável dos programas de transferência de renda e o governo conseguiu focalizar as famílias mais necessitadas. “De um modo geral, os programas de transferência de renda estão sendo significativos e é mínimo o percentual da população que vive apenas dessa assistência”, avalia a estudante. “No momento em que tem a renda [bolsa-família], há um aquecimento da economia local, com o aumento do consumo. Esse dinheiro gira a economia e o crescimento econômico acaba sendo maior.” Somente no Jardim Maracanã, de acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, 91 famílias beneficiam-se do programa de transferência de renda municipal. No programa mantido pelo governo federal, são 523 famílias assistidas, sendo 490 pelo bolsa-família, 28 pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) e cinco pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Outras 50 pessoas recebem assistência eventual, como cupom alimentação, vale-transporte, documentos e fotografias para documentos.
* Foto do Jardim Maracanã captada nesta quarta-feira, 09/12/09, mostra o bairro, que era um assentamento, asfaltado, com posto de saúde, quadra coberta e toda infraestrutura.Foto: André Guimarães.



